FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

Ação combate interiorização de grupo criminoso nas regiões Noroeste, no Vale do Sinos e em Santa Catarina e reúne cerca de 300 policiais


A presença violenta de uma facção em cidades do interior do Rio Grande do Sul é alvo de operação da Polícia Civil na manhã desta terça-feira (24). São cumpridos mais de 100 mandados de prisão e de busca em 22 cidades gaúchas e uma catarinense. A ação pretende atingir os elos deste grupo especialmente na Região Noroeste, onde a polícia vem percebendo o aumento do tráfico de drogas e da violência empregada pelos criminosos. No Ao total, 45 pessoas foram presas.

A Operação Android foi desencadeada a partir de uma força-tarefa, coordenada pela Delegacia Regional de Três Passos, que tenta desmantelar ações relacionadas ao tráfico de drogas e outros crimes, como homicídios e roubos, praticados por integrantes da facção Os Manos, com sede no Vale do Sinos.

Cerca de 200 policiais civis, com o apoio de cem policiais militares e 15 policiais rodoviários federais, participam da operação, que conta com o apoio do helicóptero da Polícia Civil. Estão sendo cumpridas 104 ordens judiciais, sendo 43 mandados de prisão e 61 de busca e apreensão.

Na Região Noroeste e na Região Norte está concentrada a maior parte das cidades onde são cumpridos mandados, 15 no total: Santo Augusto, Coronel Bicaco, Redentora, Campo Novo, Tenente Portela, Três Passos, Crissiumal, Independência, Palmeira das Missões, São José do Inhacorá, Três de Maio, Ijuí, Passo Fundo, Carazinho e Lagoa Vermelha. Os policiais também fazem buscas em Dois Irmãos, Campo Bom e Novo Hamburgo, no Vale do Sinos; Lajeado, no Vale do Taquari; Santiago, na Região Central; Charqueadas, na Região Carbonífera; Montenegro, no Vale do Caí; e São José, em Santa Catarina.

Segundo o chefe da Polícia Civil, Emerson Wendt, os comandos para esses delitos vêm sendo ordenados pelos principais líderes da facção do interior de presídios. Por isso, são cumpridos mandados de prisão preventiva em casas prisionais em Ijuí, Charqueadas, Carazinho, Montenegro, Três Passos e Lagoa Vermelha.

Ao longo das investigações, a polícia apurou que esses líderes, de forma estruturada e hierarquizada, vinham gerenciando todas as cadeias do comércio de drogas em cidades do Interior, como transporte, fracionamento e entrega para gerentes regionais e locais.

— Os principais alvos dessa operação são justamente esses líderes, que fazem o controle das ações criminosas de forma rígida de dentro das cadeias, e os gerentes regionais e locais —explicou Wendt.

Os gerentes regionais eram responsáveis por receber e distribuir a droga vinda do Vale do Sinos para os traficantes que coordenavam o tráfico local na Região Noroeste.

Homicídios, pichações e rota alternativa para drogas e armas
A presença da facção, segundo a Polícia Civil, gerou disputa de territórios do tráfico e ajustes de contas entre criminosos, que acabaram impactando na violência nessas cidades. Entre os municípios alvos da operação estão cidades com cerca de 2 mil habitantes.

— Esses crimes não eram comuns nessa região e, quando começaram a ocorrer com maior incidência, percebemos que havia algum problema — afirmou o chefe da Polícia Civil.

Nos municípios da Região Noroeste onde são cumpridas as ordens, pelo menos 11 homicídios teriam sido cometidos ao longo de um ano por ordem do grupo criminoso. Um deles aconteceu na Argentina. Ainda conforme a investigação, roubos registrados nestas cidades, que não eram frequentes até então, foram atribuídos aos membros da facção.

Nestes municípios, a polícia também percebeu que a facção passou a pichar muros, residências e postes com os números 14, 18, 12 , que representam as inicias da facção no alfabeto (OSM). Para Wendt, a região é estratégica para o grupo criminoso, já que está próxima da fronteira com a Argentina.

— Esses grupos procuram rotas alternativas para poder fazer o transporte de drogas e armas — disse Wendt.

Prisões no Vale do Sinos
Entre os 45 detidos, duas pessoas foram presas preventivamente no Vale do Sinos, considerado berço da facção Os Manos. Conforme o delegado Vilmar Schaefer, os dois gerenciavam pontos de tráfico e tinham deixado o Noroeste do Estado para fugir de ameaças.  

— Eles saíram no sentido de abandonar o tráfico de drogas ou se esconderem, achando que pudessem ser vítimas.

Uma mulher de 20 anos foi presa em Campo Bom, no bairro Santo Antônio. Com ela, foi apreendido um celular. Segundo Schaefer, a mulher atuava no tráfico de drogas em Santo Augusto e, há cerca de três meses, acabou se mudando para a casa de familiares em Campo Bom.  

Já um homem de 27 anos era traficante em Redentora e acabou sendo pego em Dois Irmãos, onde estava residindo há 30 dias. Segundo Schaefer, ele temia a própria vida após a morte de outro traficante há cerca de 50 dias. 

A polícia também cumpriu mandado de busca e apreensão em uma casa no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo, mas nada foi encontrado. O local seria um ponto de drogas, o que acabou não sendo confirmado. 

Após as prisões, a mulher foi levada para Três Passos e o homem foi levado para a Delegacia de Pronto Atendimento de Novo Hamburgo. 

A apuração  
As investigações iniciaram em julho de 2017 e, desde então, 55 pessoas foram presas e sete adolescentes apreendidos, principalmente na Região Noroeste e no Vale do Sinos. 

Neste período, foram capturados responsáveis pelo transporte das drogas do Vale dos Sinos e suspeitos de serem responsáveis por execuções a mando da facção. Foram apreendidos desde julho de 2017 cerca de 180 quilos de drogas. A operação recebeu o nome de Android por conta do trabalho de inteligência de dados realizado ao longo das investigações.

Fonte: GauchaZH